Era uma vez...
agosto 29, 2017Antecedentes:
- "Nada de livros, mãe"
- "Mãe, compra pra mim o último livro daquela saga cujos primeiros livros eu ainda nem li :)"
- "EU AMO ISSO! #TEAMEDWARD"
- "Olha, uma coisa chamada fanfic de um casal chamado Robsten - Oh meu Deus, é uma história com meus atores favoritos!"
- "Nossa, vou escrever um comentário e ler outras fanfics (...) Meu Deus, eu tenho amigos virtuais! Meus pais nunca saberão, eu sou muito rebelde."
Na Bienal do Livro de Pernambuco de 2011, uma jovem aprendiz de leitora vai em busca de livros que pudessem satisfazer seu desejo de continuar fazendo-se presente na realidade sobrenatural dos romances fictícios. Apesar da pouca idade, é abordada por uma vendedora que oferece-lhe um exemplar de uma saga que viria a ser responsável por diversas situações posteriores. Como se "Amante Consagrado" não fosse indicativo o suficiente, comprou o livro, garantindo ao seu pai que amante é apenas aquele-que-ama - o que é verdade, ainda que esse amor seja demonstrado de forma tão carnal e visceral com o passar das páginas. Chocada pela realidade gráfica, a inocente e ingênua menina desiste temporariamente daquela leitura, vindo a recuperá-la alguns meses depois e se apaixonando, em partes.
Algum tempo depois, essa jovem leitora vaga pelo seu Twitter a procura de ocupação pra sua vida. E eis que acha, coincidentemente, em sua timeline, uma menina que ela nem sabia que existia - quanto mais que a seguia! O melhor de tudo é que, no tweet, a desconhecida criatura falava sobre Zsadist, um dos irmãos. Ela nunca tinha conhecido ninguém que conhecesse a Irmandade antes, então não podia perder essa oportunidade. Três letras, cinco caracteres: "IAN <3" e o início de uma outra fase da história que me traz até aqui.
Tweets trocados, empolgação constante, skypes trocados, conversas incansáveis, trocas de experiências, amizades, apoio à comunidade LGBT, carinho e um "Bruh, você gosta de GoT?". Na época, a jovem aprendiz de leitora era jovem viciada em séries, intoxicada pelo próprio dia a dia. "Claro que gosto, pena que está em hiatus."
"Nesse caso, tenho um grupo pra te apresentar." Troca de números, whatsapp, mais conversas, grupo intimidador. Pessoas desconhecidas, porém muito legais, a grande maioria bastante aberta e de fácil assunto, mas relativamente fechados no seu próprio grupo pré-existente. E, então, um garoto. Conversador, animado, simpático, safado, doce, carinhoso, acolhedor, extrovertido, consciente, digno de admiração - um futuro melhor amigo cis-homo em potencial. Até que veio "o outro".
Mantinha-se ausente em boa parte das conversas, parecia gentil, mas não necessariamente acolhedor, introvertido, parecia ter certos problemas de confiança e - mano! - se preocupava com a quantidade de sódio presente no miojo. "Você não tem medo de ter pressão alta, Bruh?": Quem. Pergunta. Isso. ?.
Grupo broxado. Conversas privadas, dias de vácuo. Ele costumava elogiá-la e agradecê-la por ser tão compreensiva com suas demoras e ausências, dizia que ela era "muito boa/fofa", ainda que vá negar para sempre. Ele não sabia, na época, que ela era uma louca meio obsessiva, meio compulsiva, excessivamente carente, levemente egoísta, potencialmente ciumenta, principalmente possessiva, absurdamente tagarela e, de vez em quando, bem chata. Sobre isso, ela alertava abertamente, ele que não acreditava. Desculpava-se por seu excesso de conversa, recebia um "Não tem problema" que, na época, não a convencia. Foi aí que veio o primeiro de tantos acordos: "Tudo bem você tagarelar, até me deixa mais confortável para falar muito também, sem achar que incomodo" - ou outras palavras, anyway. É assim até hoje, quase.
Ela vivia em uma fase crescente de amor à vida e a tudo que gritava vida. Falava sobre amores que valiam a pena, sobre perdão, sobre os prós de se sofrer por amor. Sobre valorização, sobre felicidade, sobre evolução perante crises e crises perante evoluções. E ele nunca saberá o quão alegre a fazia a cada conversa - sem muitas abreviações, com conversas livres, dotados de trocadilhos inteligentes (ou não) e com quase nenhum erro ortográfico - e o quão feliz ela é por ter tido a oportunidade de tê-lo em sua vida.
Admoestar, do latim admonestare: ¹Censurar alguém a partir da observação de seu comportamento, sua maneira de pensar ou por uma falha cometida por esta pessoa etc; repreender. ²Aconselhar alguém quanto à sua maneira de proceder, para que a corrija de alguma forma; advertir, avisar, prevenir. ³Repreender branda e benevolamente (denunciando o mal feito e encarecendo o bem a fazer). - DONE!
Adoestar: Essa palavra nem existe, cara. Não sei porque ela está tão presente e importante no meu coração até hoje - talvez haja uma ou duas pessoas que entenderiam.
Admoestadora: Não conheço nenhuma, mas já dei uns pitacos.
E o resto é história.
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